Nosso corpo transforma o rancor em doença

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Qual é a relação das doenças com as mágoas e o rancor?

Baseado na simples observação, sabemos que as mágoas, o rancor, podem surgir a partir de uma ou mais situações “estressantes” podemos assim dizer, que uma pessoa experimenta, nos mais diversos contextos das relações humanas. Muitas vezes são situações que nos pegam de surpresa, e cada pessoa pode responder à uma mesma situação de formas diferentes.

Por exemplo, nem todo mundo guarda rancor numa situação de traição conjugal.

Para algumas pessoas, ser traído pelo parceiro significa uma chance de terminar um relacionamento já decadente; para outros, a mesma situação pode ser sentida como uma perda irreparável da dignidade. Ou seja, basicamente, tudo depende de como você sente. Parafraseando Marta Medeiros, ‘há tantas verdades quanto seres humanos na terra’. Aqui não cabem julgamentos. 

“O perdão nos permite recuperar uma parte de nós mesmos que havia ficado para trás presa a um evento passado.”

– Sharon Salzberg

De fato, a própria medicina já admite a relação entre a doença e o emocional. Muitas pessoas associam seus sintomas à causas emocionais quando seus remédios não surtem qualquer efeito, quando seus exames não apontam nenhuma causa, e quando seus médicos não conseguem diagnosticar seu quadro, mesmo após “virar seus pacientes ao avesso”. Alguns pacientes já ouviram seus médicos dizerem: “Vai pra casa, isso é emocional, vai passar”. O problema é que muitas vezes não passa, e para maioria das pessoas saber que seu sintoma é de origem emocional não é o suficiente. Para muitos, esta é a hora de buscar uma técnica de saúde integral, de fazer um exame de consciência, recorrer ao perdão, e até mesmo à fé.

Veja o que o médico psiquiatra e terapeuta Sergio Groisman fala sobre a importância do perdão:

 

O termo mais conhecido por descrever processos de doença que têm como causa fundamental o campo emocional, ou a psiquê, é a psicossomática. A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que gera diversas especialidades da medicina e da psicologia, para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos, sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. O termo também pode ser compreendido, tal como descreve Mello Filho, como “uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma medicina integral”. Atualmente a psicossomática tem se desenvolvido segundo uma ótica multidisciplinar promovendo a interação de vários profissionais de saúde, dentre eles, médicos, fisioterapeutas e psicólogos.

A etimologia da palavra psicossomática vêm  de Psicossoma. No Grego: ψυχή (psykhé), σομα (soma)= alma-corpo.

Do ponto de vista também científico da Nova Medicina Germânica, que estuda o homem como um ser biológico, não existem doenças ou sintomas cujo fator causal está exclusivamente no âmbito psicológico, pois para o Dr. Hamer “toda doença é uma interação significativa entre psiquê, cérebro e órgão”. Um evento vivido como um conflito biológico, e não psicológico (também existe, mas é diferente), que deve impactar nossos mais básicos instintos biológicos inconscientes (território, sexo e alimento resumidamente) vivenciadas de forma real ou virtualmente e, assim desencadear uma resposta simultânea nos três níveis correspondentes:

  1. Psiquê – Gera um período de sofrimento emocional, pensamentos recorrentes à situação conflitante, com a finalidade biológica de ajudar o indivíduo a resolver a situação o quanto antes;
  2. Cérebro – Surgimento de um foco de Hamer, um ponto específico do cérebro é afetado de acordo com o conflito biológico que foi vivenciado, correspondente ao órgão atingido, e detectável em um exame de tomografia cerebral;
  3. Órgão – Tecido biológico que terá seu funcionamento alterado enquanto o indivíduo estiver vivenciando a situação estressante. Para vários órgãos ou tecidos, os sintomas surgem após a resolução da situação de estresse.

Dr. Hamer descobriu Cinco leis biológicas que explicam a causa, o desenvolvimento e a cura natural das “doenças” baseadas em princípios biológicos universais. De acordo com estas leis biológicas, as chamadas “doenças” não são o resultado do mau funcionamento ou doenças malignas do organismo, mas sim “um programa biológico especial da natureza” (SBS), criado para ajudar um indivíduo durante um período de sofrimento emocional e psicológico.

É através dos sintomas do paciente que conseguimos descobrir as causas, com a Nova Medicina Germânica. Chegando à causa e tornando os eventos conscientes, entendendo a reação biológica do corpo, o paciente reune as forças necessárias para finalizar o processo de cura. Os sintomas crônicos não são mais do que repetições de nosso próprio corpo tentando nos passar uma mensagem. A Nova Medicina Germânica é a chave para decodificar a mensagem que o sintoma trás consigo.

Para a Microfisioterapia, técnica francesa de terapia manual desenvolvida pelos fisioterapeutas e pesquisadores Patrice Benine e Daniel Grosjean, que trata buscando as causas dos desequilíbrios e estimulando a autocura via corpo, com toques em pontos específicos, um sintoma qualquer, seja orgânico ou emocional, sempre têm uma “cicatriz”, uma informação que foi memorizada pelo corpo, que corresponde ao sintoma ou à queixa do paciente. É buscando esta “cicatriz” que chegamos à causa do sintoma, e é à partir dela que conseguimos estimular o corpo à reagir e evacuar através de mecanismos próprios, os bloqueios que levaram aos desequilíbrios. Sejam estas cicatrizes deixadas por sobrecargas físicas (ex. excesso de trabalho, trabalhos noturnos…), emocionais (ex. perdas na família, separações, abandonos, contrariedades…), toxicológicas (ex. drogas, medicamentos, quimioterapia…) e traumáticas (ex. lesões esportivas, acidentes de trânsito, quedas…).

Independentemente da abordagem terapêutica, partindo da iniciativa própria de se curar, curar as feridas deixadas pelas mágoas e rancores acumulados ao longo da vida, a vontade genuína de poder viver olhando para o futuro, sem ter  amarras no passado é o fundamental. Tomar esta decisão é a parte mais difícil do processo. As ferramentas para lhe ajudar estão à sua disposição!

Finalizo com um texto maravilhoso da estudiosa e escritora Sharon Salzberg em seu livro “Loving Kindness”:

“Quando nossas mentes estão cheias de raiva e de ódio por outras pessoas, na verdade, nós somos os únicos que estamos realmente sofrendo, aprisionados nesse estado mente. Mas não é muito fácil acessar o lugar dentro de nós que é capaz de perdoar, que é capaz de amar. Sob alguns aspectos, ser capaz de perdoar, de abrir mão, é uma espécie de morte. É a capacidade de dizer: “Eu não sou mais aquela pessoa, e você não é mais aquela pessoa.” O perdão nos permite recuperar uma parte de nós mesmos que havia ficado para trás presa a um evento passado. Pode ser que alguma parte da nossa identidade precise morrer nesse abrir mão, para que possamos recuperar a energia presa ao passado. Todos esses ensinamentos estão disponíveis para nós, mas apenas se pudermos estar conscientes daquilo que estamos sentindo, do modo mais profundo possível, sem que nada seja ocultado da nossa consciência. Então, podemos analisar: Que luta é essa? Por que estamos lutando? É importante entender que coisa alguma pode nos fazer sentir bem ou mal. Nada está isolado neste mundo condicionado. Nós vivemos em uma realidade interdependente, onde temos a situação do momento presente e também tudo o que nós estamos trazendo conosco.”

E você? Na sua opinião, existem situações onde o perdão seja impossível? Quais são as maiores dificuldades no ato de perdoar? Deixe seu comentário!


Fontes:

https://equilibrando.me/tag/sharon-salzberg/

MELLO FILHO, Júlio (coordenador); Psicossomática hoje; Porto Alegre; Artes Médicas, 1992.

Sobre a autora:

Dra. Simone Carvalho

 Fisioterapeuta Crefito 216935-F

  • Formação Internacional em Microfisioterapia (França)
  • Formação Internacional em Leitura Biológica (Nova Medicina Germânica)
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