Nosso nome é o primeiro contrato que carregamos

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O que a psicogenealogia diz sobre o significado dos nomes?

Quanto batizamos um filho, devemos saber que junto com o nome lhe passamos uma identidade. Evitemos por tanto os nomes dos antepassados, de antigos namorados e namoradas, de personagens históricos ou novelescos. Os nomes que recebemos são como contratos inconscientes que limitam nossa liberdade e que condicionam nossa vida. Um nome repetido é como um contrato do qual fazemos uma fotocópia, quando na árvore genealógica há muitas fotocópias o nome perde força e fica desvalorizado. Segundo Cristóbal Jodorowsky, o nome tem um impacto muito potente sobre a mente. Pode ser um forte identificador simbólico da personalidade, um talismã ou uma prisão que nos impede de ser e crescer.

Nas árvores narcisistas cada geração repete os mesmos nomes de seus  ancestrais e com ele se repetem os destinos. Podemos observar isso ao longo da história, quando o nome era herdado do rei para o príncipe, da rainha para a princesa, etc.

Podemos dedicar alguns minutos observando o lugar onde vivemos: na rua de um poeta, de uma santa bem feitora, de um descobridor ou talvez na de um general assassino. Nada é casual, o mundo é como um espelho que nos reflete, cada vez que realizamos mudança interior também muda nosso exterior, são sinais do Universo as vezes.

Poderíamos dizer que os nomes têm uma espécie de frequência que sintoniza com certos receptores? Que tipo de receptores?

Inconscientemente nos sentimos atraídos por certos nomes que refletem o que somos (as vezes são exatos e outras vezes estão ocultos atrás de máscaras, só há similitudes léxicas e fonéticas): Nossa parte sã e positiva é um receptor que sintoniza com certos nomes, porque nos fazem sentir seguros e tranquilos. Nossa parte enferma e negativa é outro receptor que sintoniza nomes determinados, porque há uma intenção supraconsciente de resolver o conflito. Reflita novamente nos nomes que temos atraído ao nosso mundo:

  • O nome da nossa empresa, centro de trabalho, escola…
  • O nome de nosso parceiro, amigos, filhos, chefes, professores…
  • Pessoas que cruzam nosso caminho por “acidente” e se chamam exatamente como nossos pais (ou irmãos, parentes, etc.)

Há uma programação inscrita em nosso nome e sobrenome?

Segundo nos conta Alejandro Jodorowsky, tanto o nome como os sobrenomes encerram programas mentais que são como sementes, deles podem surgir árvores frutíferas ou plantas venenosas. Na árvore genealógica os nomes repetidos são veículos de dramas.

É perigoso nascer depois de um irmão morto e receber o nome dele. Isso nos condena a ser o outro, nunca nós mesmos. Quando uma filha leva o nome de uma antiga namorada de seu pai, se vê condenada a ser “a namorada do papai” durante toda sua vida. Um tio ou uma tia que se suicidaram convertem seu nome, durante várias gerações, em veículo de depressões. As vezes é necessário, para deter estas repetições que se mude de nome. Um novo nome pode nos oferecer uma nova vida. Intuitivamente assim também compreenderam muitos poetas e escritores famosos, os quais muitos deles chegaram à fama com seus pseudônimos.

Existem exemplos que nos permitam compreender a importância do nome?

Nosso nome nos prende, aí está nossa “individualidade”.

  • Barrick Gold (gold significa ouro em inglês) se converteu no maior produtor de ouro do mundo.
  • Brontis “voz de trovão” se dedica ao mundo do teatro com uma potente voz…
  • María, Inmaculada, Consuelo se associam a pureza, a virgindade, nomes que exigem perfeição absoluta, que nos limitam.
  • Miguel, Angelo, Rafael, Gabriel, nomes de anjos podem dar problemas com a “encarnação”, sentir-se vivo neste mundo.
  • César, poderoso e associado a ambição.

Como sei se o nome que recebi me prejudica?

Estudar os nomes da árvore genealógica é igual a ascender o inconsciente. Nos nomes encontramos segredos. É importante ver como funciona o nome que nos deram. Algumas questões: A primeira é saber a pessoa que nos nomeou, nosso pai, mãe, avó, irmão, primo?… Aquele que nomeia, toma certo poder sobre o nomeado.

Quando pequeno eu gostava do meu nome ou gostava que me chamassem de outra maneira?

As crianças tem uma intuição especial e uma fresca desinibição que lhes permite rechaçar de pleno o que lhes contamina. Investigar de onde vem nosso nome:

  • Se é de algum familiar, é bom analisar seu destino e os caminhos que recorreu em sua vida, porque provavelmente venhamos a repetir-los. Chamar-se René depois de um irmão morto, é carregar com ele toda a vida (René do grego renatus=renascido)
  • Se é de alguém significativo para quem nos nomeou, nos cairá a carga de dar lhe a este o que o outro lhe deu.
  • Se é de algum personagem histórico, novelesco, um jogador de futebol, viveremos frustrados e fracassados se não seguimos o roteiro.
  • Se é por algo material, adquirimos as propriedades desse elemento. Por exemplo, se me chamo  como a boneca de minha irmã, me converterei em sua boneca, ela jogará comigo, e me dominará.
  • Se me chamo por algo imaterial, tenderei a objetivos abstratos idealizados por nossos pais, desconsiderando o real e até mesmo , em oposição a eles, eu venha a perceber o oposto do que eu tenha escrito no nome. Chamar-me Liberdade, paz, luz , nem sempre é sinónimo de ser livre, viver em paz e manter as coisas claras.
  • Os diminutivos: “Me chamo Manuel como meu avô, mas me chamam Manolito”, estão projetando em ti a figura de seu avô, mas está proibido de crescer e superá-lo. Os nomes compostos: “Me chamo José Luis, por meu pai e meu avô”. Pobre de ti se a relação entre eles era ruim. Me chamo “Maria José”, como diz Jodorowsky, “Catástrofe sexual”. Os nomes feminilizados ou masculinizados: Mario, Josefa, Carmelo, Paula, correspondem a desejos frustrados de que nascêssemos do sexo oposto.

Por que não mudamos de nome quando este é carregado por um lastro que nos imobiliza?

Nos aterroriza mudar o nosso nome, porque tememos que vamos deixar de ser reconhecido por nosso clã. Tememos não ser reconhecidos, nem identificados, não ser amados é o maior temor que temos. Somos seres sociáveis e pensamos que podemos morrer se nosso “clã” nos abandonar, o que é uma herança do nosso cérebro arcaico.

Metaforicamente, o nome que nossos pais nos dão é como um arquivo do GPS que vai nos indicando caminhos digitalizados e guardados na memória familiar. Ao nascer, nos instalam o arquivo e vamos caminhando pelo mundo por rotas mais ou menos pedregosas e abruptas, mas nos sentimos em casa, porque já foram traçadas pelo sistema operativo da nossa árvore. Mudar-mos de nome é jogar o GPS pela janela do carro e iniciar a ver e a recorrer a novos caminhos, conquistar territórios que não haviam sido arquivados por nossa árvore genealógica, é tomar partido do nosso próprio destino. É comum observar-mos pessoas que mudam de nome por conta de suas opções sexuais, devido justamente à isto.

Como então devemos chamar nossos filhos quando nascem?

Alejandro Jodorowsky afirma que cada um tem um nome (podemos solicitar ao nosso guia interior e pedir-lhe nosso nome em um exercício de meditação ou de visualização) que vem conosco antes mesmo de sermos concebidos. É possível que durante a gestação, esse nome lhes chegue ao mesmo tempo aos pais de forma telepática, se tiverem capacidade suficiente de percepção. Se não for assim, é a criança quem deveria se nomear mais adiante. No caso de ter que decidir como o bebê se chamará, o nome não deve ter existido na história de sua árvore genealógica, nem haver pertencido a outras pessoas ideais daqueles que lhe nomeiam.

O que faremos com nosso nome?

Se descobrimos que nosso nome se encaixa com alguns pontos do que está escrito aqui, podemos fazer que as pessoas comecem a nos chamar pelo segundo nome, por exemplo, Dolores Carolina, se te chamam de Dolores que já por sí próprio Dolores traz uma carga, podemos fazer com que comecem a te chamar de Carolina, o segundo nome, ou por exemplo Carlos Antônio, onde Carlos se repete em gerações de ancestrais com destino trágico, começar a chamar de Antonio, não é fácil, mas de uma maneira começamos a reprogramar.

O texto aqui divulgado está sujeito a livre interpretação, a responsabilidade pessoal e intransferível de qualquer ação ou julgamento em relação ao tema abordado.

Tradução livre de http://consejosdelconejo.com/2015/11/09/nuestro-nombre-es-el-primer-contrato-que-cargamos/

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