Disbiose Intestinal: Um desastre ecológico no seu intestino (parte 1)

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“Tudo começa no parto. Está extensamente documentado que crianças nascidas de parto cesáreo têm conteúdo de lactobacilos e bifidobactérias (bactérias saudáveis que são chamadas de probióticas) significativamente inferior ao das crianças nascidas de parto normal…”

Resolvi escrever este artigo porque dediquei algum tempo estudando o assunto, e me deparei com informações que tenho certeza que a maioria das pessoas ainda não sabem, e precisam saber. Durante os atendimentos com Microfisioterapia, ouço muitas queixas referentes aos intestinos, alergias, doenças autoimunes e depressão. Como professional da saúde é importante estarmos à par de vários fatores que podem se relacionar a queixa do paciente. Quando investigo, na maioria das vezes, as pessoas me relatam seu histórico de tratamentos longos com antibióticos, tanto na infância quanto na vida adulta, afinal a venda indiscriminada de antibióticos ainda é muito recente (quem nunca?). Me aprofundei no tema, e me deparei com um universo novo, o universo do intestino. Antes de cursar Fisioterapia, estudei Ciências Biológicas, então falar sobre microorganismos não me assusta nem um pouco!

Surgiu assim necessidade de compartilhar o que aprendi, e “voilà”, cá estamos. E o assunto é tão importante que farei uma série de mais 2 posts para você saber tudo sobre a disbiose (Garanto que valerá a pena!).

Não é novidade que nas últimas décadas, os hábitos alimentares e o estilo de vida das pessoas ao redor do mundo passaram por várias modificações. Houve também um aumento da oferta no setor de alimentos, e paralelo a isso ocorreu uma redução na qualidade nutricional do que encontramos nas prateleiras dos supermercados, causada pelos fatores mais variados. Entre eles, podemos destacar a perda nutricional causada por armazenamento, o transporte e manuseio impróprios, perda de nutrientes e contaminação química devido à industrialização dos alimentos e aumento importante do consumo de carboidratos simples (como açúcar e farinhas). Enfim, são muitos os fatores e que, na maioria das vezes, ultrapassam os limites do que podemos controlar.

Diante de tantas modificações, gerou-se um desequilíbrio na natureza, que afeta diretamente a produção alimentar (uso de agrotóxicos, fertilizantes) bem como um desequilíbrio na saúde humana (situações adversas como a poluição ambiental, o estresse físico e emocional e o aumento no consumo de alimentos anti nutricionais e industrializados; como antibióticos etc).

Tornou-se cada vez mais importante modificar os hábitos alimentares para efetivamente nutrir o organismo, uma vez que neste momento a realidade imposta pelo avanço tecnológico e hábitos de vida pouco saudáveis são a causa de uma série de doenças imunológicas, neurológicas e digestivas.

Mais do que nutrir as células, devemos estar atentos a um mundo a parte, que por não enxergarmos, esquecemos sua importância: a flora intestinal. Quando se fala de bactérias, só pensamos que elas causam doenças, mas isso não é uma realidade completa (em um outro momento farei um artigo explicando o papel dos microorganismos; inclusive os considerados prejudiciais à saúde).

No total, convivemos (no nosso corpo) com aproximadamente 100 trilhões de bactérias (isso mesmo, mais bactérias do quê células, pasmem!) que vivem ecologicamente em equilíbrio, exercendo funções importantes, ajudando a digerir alimentos, sintetizar vitaminas essenciais e proteger a mucosa intestinal para o funcionamento adequado do organismo.

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Para se ter uma ideia mais ampla dessa proporção, calcula-se que no corpo humano existam aproximadamente 10 trilhões de células, isto significa que temos 10 vezes mais bactérias do que células no corpo. Todas juntas somariam uma média de 2 quilos. Outro dado curioso é que quando vamos ao banheiro quase metade do peso das fezes são bactérias (vivas ou mortas).

A importância do conjunto de bactérias que habitam o intestino é tamanha, que pode ser considerado como uma espécie de órgão funcionalmente ativo, chamado de microbiota intestinal. No intestino grosso, onde a microbiota intestinal é mais numerosa e diversificada, há cerca de 500 espécies diferentes de bactérias dividindo-se em microbiota dominante (Bifidobacterium), microbiota subdominante (Lactobacillus) e a microbiota residual onde são incluídas as bactérias consideradas potencialmente patogênicas (Clostridium, Pseu- domonas e Klebsiella).

Além da flora bacteriana, temos fungos e leveduras em menor quantidade e em simbiose com as bactérias.

A flora saudável é chamada de Probióticos (a favor da vida) e os nutrientes necessários para o bom desenvolvimento dela é chamado de Prebióticos.

Dentro desse quadro, a disbiose intestinal é definida como o desequilíbrio entre micro-organismos benéficos e patogênicos (os que causariam doenças) presentes no trato gastrointestinal, gerando uma situação desfavorável à saúde do ser humano. Uma definição mais atual diz que: “Disbiose é o estado no qual a microbiota produz efeitos nocivos através de mudanças qualitativas e quantitativas na própria microbiota intestinal; mudanças na sua atividade metabólica; e mudanças em sua distribuição do trato gastrointestinal” (muito melhor esta definição). Em outras palavras, havendo a disbiose, gera-se uma desarmonização no organismo pela não absorção de vitaminas e inativação de enzimas digestivas, prejudicando a digestão e indução da fermentação; desconjugação de sais biliares, comprometendo a digestão e absorção de gorduras; produção de promotores tumorais, como as nitrosaminas e destruição da mucosa intestinal, gerando a hiper permeabilidade e, assim, ativando o sistema imuno- lógico. Em suma, disbiose quer dizer um grande “desastre ecológico dentro do corpo”.

Está surpreso? Não para por aí.

Quer entender melhor quais são os FATORES QUE PROPICIAM O DESENVOLVIMENTO DA DISBIOSE INTESTINAL?

Tudo começa no parto (mais um super mega ponto para a galera do parto humanizado, natural!!!). Está extensamente documentado que crianças nascidas de parto cesáreo têm conteúdo de lactobacilos e bifidobactérias (bactérias saudáveis que são chamadas de probi- óticas) significativamente inferior ao das crianças nascidas de parto normal, e maior número de Clostridium. Se você ainda está imaginando porquê, é pelo simples contato da cavidade oral do feto com a parede da mucosa vaginal maternal! Simples assim.

Para reduzir esta disbiose que se traduzirá em “cólicas do bebê”(entendeu a importância do assunto? ainda têm mais!) diarreias ou alergias, recomenda-se a suplementação de probióticos nas gestantes e também para os bebês. Vários trabalhos mostram redução de alergias em bebês que suas mães fizeram uso de probióticos na gestação e na amamentação. Vale apena reler esse parágrafo!!

Captura de Tela 2016-02-26 às 17.14.35Outro passo importante é a alimentação. Crianças amamentadas exclusivamente de leite materno apresentam um conteúdo da flora intestinal muito superior, bem como menor número de bactérias patogênicas, que se utilizam de leite em pó. Somando a estes dados, hospitalização e uso de an- tibióticos são outros fatores que contribuem (demais mesmo) para o desenvolvimento da disbiose intestinal no neonato.

É importante salientar que as bactérias que primeiro colonizarão a criança, após o nascimento, estão diretamente correlacionadas às bactérias do canal do parto, das fezes maternas e do meio ambiente do nascimento. Sendo assim, imagine o seguinte quadro: uma criança que nasce em um hospital (ambiente), de parto cesáreo (sem passar pelo canal de parto), de uma mãe com disbiose intestinal (uma candidíase crônica intestinal, por exemplo), que não foi amamentada e recebe alimentos ricos em dissacarídeos e monossacarídeos os promotores de disbiose – como mel, xarope de frutose e açúcar (sacarose), apresentará uma altíssima probabilidade de um quadro de disbiose intensa. Esta situação é invisível, mas pode se manifestar como alergias (rinite e bronquite), otites e amigdalites de repetição, doenças repetidas e dificuldade de desenvolvimento. Os pais se perguntam: por que meu filho está tão doente? A resposta está nas bactérias intestinais (disbiose).

Portanto, para finalizar a primeira parte da série de artigos que postarei sobre a Disbiose, ficam ao final:

AS PRINCIPAIS CAUSAS DO DESEQUILÍBRIO DA FLORA INTESTINAL:

  • O uso indiscriminado de antibióticos, que matam tanto as bactérias úteis como nocivas;
  • O consumo excessivo de alimentos processados ricos em carboidratos simples (farinhas e açúcares) em detrimento de alimentos crus e naturais;
  • As doenças consumptivas, como câncer e síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS);
  • O uso de anti inflamatórios hormonais e não hormonais; abuso de laxantes;
  • As disfunções hepatopancreáticas e capacidade digestiva
  • A excessiva exposição a toxinas ambientais, como os antibióticos nas carnes e os agro- tóxicos nas plantas;
  • O estresse crônico e imunidade debilitada.
  • Constipação intestinal e diverticulose

Por aí, podemos imaginar que a prevalência da disbiose na população não é nada discreta, e tão poucas pessoas sabem sobre o tema!!

A microfisioterapia ajuda a reequilibrar vários aspectos do organismo, como por exemplo sintomas que podem surgir com a disbiose (alergias, depressão…), mas é muito importante a mudança de hábito quando o assunto é disbiose.

No próximo post, falarei sobre a relação dos antibióticos e da alimentação. Siga a página do Facebook para não perder!

Comente e compartilhe! As pessoas precisam conhecer a disbiose intestinal!

Até breve!


Fonte: Inspirado e adaptado do texto: “Disbiose intestinal: a estreita relação entre o intestino e a saúde” Essentia Pharma

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