Autorresponsabilidade no processo de cura

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“o primeiro ato de autoresponsabilidade que fazemos é logo após ao nascer, quando para permanecermos vivos já que, desligados do cordão umbilical (…), somos impelidos pelo impulso da vida a respirar pela primeira vez”

Eu sempre falo sobre autorresponsabilidade, mas sei que nem sempre as pessoas compreendem pontualmente o que estou querendo dizer com isso.

Para alguns, autorresponsabilidade é igual à CULPA. Eles me ouvem dizendo que se temos um sintoma, físico ou emocional, temos autorresponsabilidade por ele. Então, eles logo entendem que ficam ‘doentes’ por ‘culpa’ própria, como se estivessem se inflingindo um auto flagelo.

Autorresponsabilidade em nada têm haver com CULPA, muito menos com auto flagelo.

Para outros, autorresponsabilidade é só uma palavra comprida e que assusta um pouco, porquê RESPONSABILIDADE é algo que a sociedade sempre nos ensina à delegar. Delegamos a responsabilidade de nossa educação moral exclusivamente aos pais. A responsabilidade da nossa educação escolar exclusivamente à escola. A responsabilidade pela nossa saúde exclusivamente ao nosso médico, oras! –‘Eles tem a obrigação de encontrar a causa da doença e nos curar, já que estudaram para isso’, pensam muitos.

Logo, quem pensa assim, têm dificuldade e até mesmo uma recusa em entender o sentido dessa palavra, tão carregada de significado.

Lendo um trecho de um livro eu li uma frase que disparou um gatilho de reflexão sobre o assunto que durou dias. Se observarmos, o primeiro ato de autoresponsabilidade que fazemos é logo após ao nascer, quando para permanecermos vivos já que, desligados do cordão umbilical que nos fornecia todo oxigênio de que precisávamos até o momento, somos impelidos pelo impulso da vida a respirar pela primeira vez, uma atividade que perdura como sendo de nossa exclusiva responsabilidade até nosso último suspiro.

Nosso segundo ato de autoresponsabilidade acontece logo após o primeiro, quando somos levados ao peito para sermos amamentados pela primeira vez. De nada adianta um seio farto do mais rico colostro, se o recém nascido não sugar. Alguns podem estar pensando, ‘mas respirar e sugar, são reflexos, não existe vontade impelida nestes atos’. E eu digo que existe sim. É a vontade da natureza, de que para conseguir o oxigênio e o nutriente que precisamos, o mínimo que devemos é realizar um trabalho, um gasto de energia.

Se estou num processo de tratamento, qualquer que seja, com a postura daquele que espera receber tudo o que precisa do profissional ou equipe que lhe assiste e, somente precisa esperar pacientemente o efeito desejado, então ainda estou na fase intrauterina, com a postura do embrião que, através do cordão umbilical recebia todo o suprimento para a vida.

Ainda não percebi, que querendo ou não, para alcançar um estado de saúde que eu desejo, existe a minha contrapartida, um ‘gasto de energia’ impelido pela vontade própria em buscar o que quero e preciso.

Não significa que vou me martirizar por ter adoecido, por que acho que o sintoma surgiu porque não fui capaz de lidar com algo, nem delegar a culpa à aquela pessoa que me fez algum mal no passado ou no presente, como sendo responsável pela minha insônia, depressão, ansiedade, pânico…

Tampouco significa que vou tomar uma pílula, e esperar que magicamente a pílula mágica me cure. Pílulas mágicas não existem. Remédios não curam ninguém, quem cura é o próprio corpo. Os remédios quando bem utilizados podem auxiliar no processo. Ou não. E ainda, a ausência de um sintoma nem de perto significa a cura. Cura, é um processo, leva tempo, e envolve o corpo, a mente e o espírito.

Também não preciso achar que devo conseguir fazer tudo isso sozinho. Autoresponsabilidade não é orgulho, e nem solidão.

Autoresponsabilidade é tomar nas próprias mãos nossa própria vida. É buscar nos conhecer para saber o que nos faz mal, quem nos faz mal, e nos afastar quando necessário, sem culpar à si e muito menos aos outros. É buscar conhecer também o que nos faz bem, para podermos nos aproximar das coisas e pessoas que fortalecem nosso ânimo e espírito. É olhar para si sem julgar, apenas buscando identificar o que precisa ser mudado. É ser capaz de se perdoar e aceitar as próprias fragilidades como uma tarefa que lhe foi dada para ser aperfeiçoada ao longo da vida, e buscar meios e formas de fazer isso.

É saber até que ponto conseguimos andar sozinhos, mas sabendo o momento de buscar a ajuda para transpor algumas barreiras que sozinhos não poderíamos, sem colocar a responsabilidade na mão daquele que ajuda, mas fazendo o maior proveito possível da ajuda oferecida, até que percebemos estar em terreno conhecido novemente e podermos seguir a nossa caminhada novamente, até a próxima barreira. Não se engane, existem muitas barreiras, e tudo bem!

Eu sei. Não é algo que aprendemos por aí, assim, abertamente. Mas se você está lendo este texto e agora já entendeu, basta usar sua autoresponsabilidade para buscar aprender e entender aquilo de que ainda precisa.

Talvez nos esbarramos nesse seu processo! Uma boa caminhada!

 

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